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El Niño pode durar até o próximo verão



De acordo com a última atualização do Centro Americano de Meteorologia e Oceanografia (NOAA), as águas do oceano Pacífico Equatorial permanecem mais quentes que o normal. Esse aquecimento – o que significa presença de El Niño – tem 50% de chances de durar até o próximo verão.

Foi mantida, portanto, a previsão da manutenção do fenômeno de  fraco para o fim do outono e decorrer do inverno no Hemisfério Sul, com chance de 80% no trimestre maio-junho-julho.

Com essa situação estabelecida, devem ser esperadas chuvas acima do normal nos três estados do Sul, em parte de São Paulo e Mato Grosso do Sul. “Essa chuva acima da média pode afetar as lavouras de inverno em fase final de desenvolvimento, já que o trigo não tolera muita umidade no fim do ciclo”, afirma Desirée Brandt, da Somar Meteorologia. Além disso, as temperaturas vão continuar acima do normal e não há ondas de frio intensas nos próximos meses.

Com o Pacífico equatorial central aquecido, as frentes frias permanecerão mais fortes do que o normal. Com isso, a precipitação será mais intensa que o normal em uma faixa que começa em São Paulo e Mato Grosso do Sul e vai até o Rio Grande do Sul. No entanto, a chuva acima da média não acontecerá o tempo todo. Será observada alternância entre períodos chuvosos e períodos mais secos no Centro-Sul do Brasil. Entre agosto e outubro, com uma maior persistência de aquecimento do Pacífico leste, espera-se também uma maior persistência nas precipitações sobre as mesmas áreas.

Na faixa leste do Pacífico, área mais próxima da costa da América do Sul, chamada de “Niño 1+2”, o aquecimento foi curto acontecendo entre outubro e março, e o desvio mal chegou a 0,5°C. Trata-se de algo diferente de um El Niño tradicional. Em uma situação clássica, a parte leste deveria ter um desvio de temperatura maior que a região central. Daí a afirmação de que o atual fenômeno é fraco, também chamado de El Niño Modoki.

De acordo com os meteorologistas, o monitoramento será fundamental, e deve merecer atenção a primavera no Sudeste e Centro-Oeste. Normalmente, o aquecimento do oceano Pacífico inicia a chuva de primavera do Brasil de forma mais precoce.

É muito comum que as primeiras pancadas de chuva e trovoadas ocorram ainda em setembro, às vezes até em agosto. Mas há uma diferença entre o início da chuva e a consolidação da precipitação. Com o oceano Pacífico leste aquecido, há risco de um período estiagem após as primeiras chuvas, situação diferente da registrada na primavera passada, quando a chuva consolidou-se mais rapidamente.

Por: Pryscilla Paiva, editora de Tempo do Canal Rural