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Pesquisadores descobrem variedade de trigo sem glúten


Um grupo de pesquisadores do Instituto de Biotecnologia Vegetal da Agricultura Sustentável (IAS), o Conselho Superior de Investigação Científica Córdoba (CSIC) descobriu uma variedade de trigo que não contém glúten em sua composição. Essa pode ser uma alternativa para a preparação de alimentos para aqueles que desenvolveram intolerância ao componente e não podem consumir alimentos feitos com a farinha de trigo tradicional.

De acordo com a pesquisa, que foi publicada na revista Food Chemical Toxicology, a nova variedade possui características nutricionais semelhantes ao trigo convencional. Elas são obtidas através das proteínas gliadinas  e  gluteninas, que são justamente as que causam a doença celíaca, que ainda não tem cura conhecida.

Porém, os cientistas conseguiram reduzir entre 95% e 98% dessas substâncias na linha transgênica E82 sem que houvesse a perda de qualidade do produto, o que é possível através do aumento de globulinas . Francisco Barro, pesquisador e autor do artigo, além da variedade ser uma matéria-prima que pode ser consumida pelos celíacos, ela também terá um custo bem menor do que os alimentos produzidos exclusivamente sem adição de glúten.

“Com a nossa proposta, as gliadinas são reduzidas, a principal causa da doença, entre 95 e 98%, por isso obtemos a matéria-prima adequada para o consumo de celíacos com a mesma qualidade de processamento e com menor custo”, explica ele.

Isso pode ser comprovado por experiencias realizadas durante 90 dias com 100 ratos divididos em cinco grupos diferentes, onde metade pertencia ao sexo feminino e a outra ao masculino. Durante esse tempo, parte deles foi alimentado com a variedade de trigo convencional e a outra com a linha transgênica, o que permitiu verificar que não há qualquer efeito colateral ou contraindicação no consumo da variedade.

Agora, o próximo passo da pesquisa é realizar testes práticos com a participação de voluntários celíacos a fim de possibilitar sua futura comercialização.

Por Leonardo Gottems

Fonte: Agrolink