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Sabe o que é meiosi? Rotação entre soja e cana é boa opção


Nem milho, nem trigo. No norte do estado de São Paulo, a sucessão de culturas mais comum para a soja, é a cana, o principal produto do agronegócio paulista. A presença de usinas de processamento e a alta demanda para produzir combustível explicam o domínio da cultura.

Para aumentar ainda mais a produtividade, o agricultor Seandro Duarte passou a rotacionar a cana-de-açúcar com a soja. “Toda rotação e reforma da área de cana eu faço com a soja, né. Pois ela traz vários benefícios, como o próprio nitrogênio que fica no solo. A gente remove toda a palha, e reforma nossa área com soja”, conta.

Além da sucessão na reforma da área, as culturas dividem espaço na lavoura através da meiosi, prática de plantar uma linha de cana a cada intervalo médio de 16 metros de soja. Depois que a soja é colhida, são abertos sulcos com cerca de 40 centímetros de profundidade, onde são enterradas mudas da cana colhida. O resultado é um canavial mais produtivo.

“Você melhora o perfil do solo, faz a rotação eliminando algumas pragas que são incompatíveis com a cultura da soja, traz nitrogenação do solo, para ficar mais cinco, seis anos com a cana”, diz o presidente da Aprosoja SP, Gustavo Chavaglia.

A meiosi não chega a ser uma prática nova, mas se intensificou no estado nos últimos três anos. O produtor Duarte concorda com as vantagens do sistema de plantio, mas lembra que a técnica requer cuidados específicos, principalmente para controle de ervas invasoras.

“O glifosato mesmo, mata a cana, né. Ele não é seletivo, então tem que fazer pré-emergente. Algumas áreas eu faço o pré-emergente antes e depois eu vou plantando a soja. Talvez vice-versa, depende da época”, conta Duarte.

Mesmo com as restrições, a Aprosoja de São Paulo incentiva o cultivo em meiosi. Até porque a técnica colabora para o aumento do plantio de soja no estado. Na última safra, foram mais de 900 mil hectares plantados, com produção acima de três milhões de toneladas do grão. “Soja e a cana são protagonistas aqui. Acho que é um casamento muito positivo para o solo, para a atividade canavieira e para a região, que não fica somente com uma cultura. A soja vai tendo participação em até 30% no município, com as renovações de canaviais”, diz Chavaglia.

Por André Anelli

Fonte: Soja Brasil/Canal Rural